terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vai por que quer, falta de carinho não é!

  









Sonhamos com o dia em que conseguiremos combater essa doença. Trabalhamos a espera de um mundo onde todos tenham ardente em seu coração a preocupação com o cuidado pelo próximo. Vivemos aqui assim, todos os dias, todos os minutos de nossos dias. Nessa ânsia por trazermos mais Vida a Vida dessas pessoas que por escolhas ou não, ainda que involuntárias, sofrem a dor diária de uma luta sem futuro certo. Uma dor que irradia em seus familiares, amigos e em nós simples colaboradores da saúde que carinhosamente criamos um laço.

Na administração de uma unidade de saúde de pesquisa, prevenção e tratamento de Câncer confesso que meu contato com eles quase nunca é frequente, ao ponto de criarmos “rotinas”. Conheço a grande maioria, mas poucos tenho a chance de acompanhar todo o processo do tratamento, recebendo e dando carinho ou atenção como acontece com os cargos mais assistenciais.

Hoje, perdi não só um paciente, mas um amigo, um anjo em que todas as vezes que buscava dar conforto a ele em seu quarto de internação ou quando entrava em minha sala pra me dar bom dia, me inundada com doses infinitas de lições de vida e amor.

Seu Nelson era como um pai para todos aqui. Vivemos sua luta por pouco mais de um ano. Um homem guerreiro, como tantos outros que teve sua vida limitada pelo tratamento desta doença tão violenta.

Passava horas ouvindo suas histórias, fazendo planos do nosso novo hospital em que ele seria meu mais comprometido “mestre de obras”. Criticávamos a política, confidenciava nossos dissabores. Ele me dava força, e eu para ele. Fiquei devendo a feijoada da minha mãe, assim como levá-lo para conhecer o terreno onde construiremos o maior sonho de todos que lutam por essa causa em Rondônia. Entretanto, vivo a certeza de que o encontrarei para contar o que vivemos nesse tempo todo distante.

Me lembro da penúltima vez que esteve aqui. Saímos de mãos dadas, ele na cadeira de rodas, sua mulher Patrícia e eu ao lado o acompanhando até o carro. O hospital inteiro pelo corredor dando tchau para aquele bravo companheiro. Ele desejava força a seus colegas de quarto, parando pelo corredor todos funcionários com suas recomendações de “volto em breve”. Até chegar a despedida, me olhar com toda ternura e dizer: “eu te amo minha filha. Muito obrigada por tudo até agora”.

Seu Nelson depois de quase uma semana voltou ao hospital por intercorrências e dias depois foi para a UTI. Sem querer disputar uma vaga de visita entrei escondida até seu leito. Lá estava ele, ainda mais impossibilitado de manifestações. Dessa vez, só eu falava. E tenho certeza que me ouvia. Desta vez, eu que dizia “vai por que quer... por falta de carinho não é”. Essa era a frase que ele me dizia todas as vezes que eu o visitava e ia embora de seu quarto. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Só amor!


Algumas coisas acontecem na vida da gente sem que possamos compreender em seus instantes. Nossa maior gratidão dentro deste hospital são os “presentes” que ganhamos. Eles chegam nas mais singelas e variadas formas, como caixa de bombom, caixinhas de sabonetes, anel de algodão doce, bolos, pães, abraços, lágrimas derramadas em forma de agradecimento, um olhar contido... infinitas formas o
nde a criatividade vem do amor, só do amor que dedicamos.

O departamento mais presenteado tem sido a recepção. Estimulo uma competição sadia entre elas, perguntando sempre ao final do dia sobre as experiências que tiveram. E elas me contam cheia de carinho as demonstrações de afeto de cada paciente. Quando elas não ganham sequer um bilhetinho de coroação da “recepcionista mais simpática” eu brinco dizendo: "você não está dando seu melhor. Vamos rever seu atendimento!"

Hoje a ganhadora do presente mais inusitada desde a abertura do Hospital de Câncer de Barretos - Unidade Porto Velho, foi eu. Há uns dois meses tivemos um problema com um paciente transferido de Barretos, seu Ozias Crivelli. Por dificuldades ainda de agenda e montagem de prontuários, como tantos outros casos, eu fiz questão de conversar com ele e sua esposa, a “brava” e querida Lucila. E depois de horas de irritação do casal eu já me sentia parte da vida deles.

Aprendo em cada minuto do meu dia a ser gente de verdade com os testemunhos de nossos pacientes, e com ele tive mais e mais orgulho de me dedicar a este trabalho. Seu Ozias nunca em sua história de tratamento solicitou ajuda do TFD, ele dizia que sentia como se tirasse a vaga de alguém que realmente necessitava, entre outras situações de tirar o chapéu por tamanha humanidade. Animados com o casamento de mais um filho e inseguros com a saúde de Seu Ozias, me contavam sobre os preparativos dessa grande festa que dariam para a família e amigos. Na intimidade daqueles minutos eles já me falavam que trariam um pedaço de bolo, enquanto eu rebatia pedindo um pedaço do buquê da noiva (risos). E dona Lucila ainda dizia: "aaaah se meu filho não tivesse com data marcada, eu faria muito gosto de você conhecê-lo!" E eu brincava: "que isso dona Lucila, sem essa de estragar noivado de ninguém. Me traga um pedacinho do buquê e meu príncipe virá!"

Eis que o dia chegou. Hoje, encontrei os mesmos no ambulatório. Faceiros com o casamento, felizes da vida me trouxeram dentro de uma caixinha térmica o tal pedaço do buquê da noiva. Eu fiquei pasma, não tive reação se não de abraça-los e agradecer. Com tanto, mas tanto carinho eles me disseram: "lembramos de você e aqui está. Eu poderia ter comprado em uma floricultura hoje, mas não teria o mesmo valor. Congelei desde a festa e fiz questão de te trazer junto com um convite para que guardasse essa lembrança. Que Deus te abençoe e você seja muito feliz!”.

Qual o motivo deste casal, que teve apenas horas de conversa comigo, se lembrar de mim durante a festa de casamento de seu filho?!!? O nó ainda está na minha garganta e só Deus sabe a minha gratidão.

Ao se despedir ela ainda disse: "Quero bordar um outro presente pra você. Já tem a letra inicial do felizardo?" E eu sorri e disse: "te espero amanhã aqui para conversarmos sobre o assunto! (risos)"

Seu Ozias, Dona Lucila, obrigada por ter me feito hoje alguém muito melhor do que pude ser ontem. Que Deus os abençoe sempre!
— em Hospital de Câncer de Barretos - Unidade Porto Velho.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

pessoas


 
 Algumas pessoas simplesmente despertam o nosso interesse. Chegam com a sutileza de uma brisa e fazem acordar os sentimentos mais adormecidos que existem em nós. Graças a elas, amanhecem novas possibilidades dentro da gente. São reavivados novos sentidos, e passamos a ver com mais clareza mesmo aquilo que estava adormecido. Mesmo os sentimentos aos quais desaprendemos de usar. Elas vêm e devolvem aquela sensação boa. São as nossas espreguiçadas boas em um domingo ocioso. Aquelas com gosto de satisfação.


|F. Gaona|
 
Foto: Hospital de Câncer de Barretos - Unidade Porto Velho

domingo, 29 de abril de 2012

Centro de Prevenção de Câncer em Ji-Paraná



O presidente da Fundação Pio XII – Hospital de Câncer de Barretos, esteve em Ji-Paraná nesta sexta-feira (20) acompanhado da gestora de Porto Velho, Raquel Keller e da coordenadora do HC do município, Silvia Cristina Chagas, para definir o local para a instalação do Centro de Diagnóstico e Prevenção de Câncer da Fundaçao Pio XII – filial de Ji-Paraná. Dentre quatro áreas visitadas no município, Prata escolheu uma área de 9.000 mil metros quadrados no loteamento Colina Parque II, no primeiro Distrito. A área foi doada pelo empresário Luiz Bernardi.

Em sua agenda de compromissos no município, Henrique Prata, visitou o senador Acir Gurgacz, a Promotora de Justiça Josiane Rossi e o prefeito José de Abreu Bianco, que se comprometeu em ajudar no que for necessário para instalação do centro de Prevenção de Câncer. “É um orgulho para nós podermos sediar uma filial de uma entidade tão importante. Sabemos da necessidade dessa unidade em Rondônia, que vai oferecer um serviço de excelência em prevenção de câncer pra quem precisa e não tem condições de pagar no serviço privado”, enfatizou Bianco.Henrique Prata ainda se reuniu com empresários e parceiros do HC de Barretos e apresentou o planejamento da obra da unidade de prevenção de câncer e pediu apoio para a realização do projeto, que será modelo em diagnóstico da doença da região Norte. “O que queremos é oferecer um serviço de prevenção de câncer digno para todos os rondonienses. Sabemos que o mais importante é a prevenção. Hoje a maioria dos casos de Rondônia que são atendidos em Barretos já chegam em estado avançado e queremos mudar esta realidade”, concluiu Prata. 

A obra será feita por emendas parlamentares e doação da comunidade. No prédio funcionará o serviço de diagnóstico e exames de prevenção, bem como local para serem realizadas micro e pequenas cirurgias. O valor total do projeto é de R$ 10 milhões, sendo que R$ 3,3 milhões serão aplicados na aquisição de uma carreta móvel que estará realizando exames preventivos nos locais mais distantes atendendo à população que não tem acesso ao Instituto em Ji-Paraná.

domingo, 15 de abril de 2012

Repúblicas do Câncer



Foto: Joel Silva/Folhapress

Fachada de república em Barretos, SP, onde moram pacientes de Ji-Paraná, Rondônia


Pacientes viajam até 3.000 km para conseguir tratamento no Hospital de Câncer de Barretos (interior de São Paulo), a maior instituição oncológica do país, que faz 3.000 atendimentos por dia. Uma verdadeira cidade paralela com cerca de 2.000 doentes de câncer, a maioria das regiões Norte e Nordeste, está se formando nos arredores do hospital, que só atende clientela do SUS.

Em geral, os pacientes chegam com tumores em estágio avançado, o que demanda tratamentos demorados. Isso os obriga a morar na cidade por longos períodos. Eles vivem em repúblicas, casas alugadas pelas prefeituras de suas cidades de origem ou mantidas pela Fundação Pio XII, que administra o hospital.
No Estado de Rondônia, por exemplo, 97% dos pacientes com câncer vão se tratar em Barretos, segundo dados do hospital. O município de Ji-Paraná (RO), a 2.200 km de Barretos, mantém uma casa alugada perto do hospital. Ali, 38 doentes dividem uma casa com cinco quartos -cada um tem dois ou três beliches.
Todas as tarefas de casa, como cozinhar, lavar louça e fazer faxina, são divididas. "A regra é clara: quem está melhor ajuda mais", conta Maria Aparecida Santos, que acompanha a irmã Teresa, com um tumor de mama.
Eles recebem cestas básicas doadas por comerciantes de Ji-Paraná e, semanalmente, cada morador colabora com R$ 15 para a compra de carne e verdura. "É uma família. Um vai apoiando o outro porque está todo mundo na mesma situação", diz Isabel Coelho, que operou há três semanas de um câncer de tireoide.
Ela mora na república há quase um ano. Até setembro do ano passado, era só acompanhante da filha, que tem melanoma (câncer de pele agressivo). No início deste ano, descobriu o nódulo na tireoide e passou a ser também paciente do hospital.
No ano passado, o governo de Rondônia fez uma parceria com o hospital de Barretos para que a instituição assuma a gestão de uma unidade oncológica em Porto Velho. A ideia é frear a migração de pacientes.
"Por que tem que vir paciente de 3.000 km para cá [Barretos]? A gente puxa uma linha reta da região Norte até aqui e vê que, no meio do caminho, só existe um hospital pequeno que não dá conta nem dos pacientes do município dele", afirma Henrique Prata, presidente do hospital de Barretos.
Segundo Prata, 40% da demanda do hospital é de pacientes de outros Estados.
ESTRESSE
A distância da terra natal e da família estressa os pacientes. A Folha ouviu 15 deles e todos se queixaram da saudade de casa. "A gente sabe que está num dos melhores centros do país, mas é muito triste ficar longe da família. Choro todos os dias. Isso acaba não ajudando no tratamento", afirma Maria da Conceição Carneiro, de Ji-Paraná, que faz tratamento contra um tumor no intestino e está em Barretos há três meses.
Outro que se queixa de saudade é o caminhoneiro Francidário de Souza, de Guanambi (BA), a 1.213 km de Barretos. Ele acompanha o filho Gustavo, 12, que tem linfoma, mas descobriu no mês passado que também será paciente do hospital: recebeu diagnóstico de tumor no cérebro. A mulher e a filha mais velha estão na Bahia. "Nessas horas, tudo o que a gente quer é estar perto da família."

por CLÁUDIA COLLUCCI
ENVIADA ESPECIAL A BARRETOS

terça-feira, 3 de abril de 2012

CNPJ em mãos!!!



Há quanto esperei para poder dar essa notícia a tantas pessoas que aguardam ansiosos por mais dignidade na saúde do Estado de Rondônia. Depois de nove exaustivos meses, conseguimos obter um parecer positivo do Ministério Público permitindo a atuação de uma filial do Hospital de Câncer de Barretos em Porto Velho.  

Hoje, a felicidade é tão grande que salta nos meus olhos. Tããããão gostosa que chego a esquecer (em partes) dos inúmeros impedimentos colocados em nossa frente. Confesso que em muitos obstáculos achei que não fôssemos conseguir. Entretanto, a determinação de toda uma equipe liderada pela bendita teimosia e obstinação de nosso Diretor Henrique Prata, estava sempre sendo fortalecida.

A esperança se renova e nos enche de energia para dar sequência a esse projeto abençoado por Deus. E digo “nos enche” pois falo em nome de todos colaboradores do hospital que mesmo a distância, em Barretos/SP, me deram todo o suporte para chegar a essa primeira vitória. Digo “nos enche” por todos os pacientes e familiares que vivem nos abastecendo de coragem em seus testemunhos para que não desistamos de chegar cada dia mais perto de suas casas. Digo “nos enche” por todos os voluntários, parceiros e amigos que durante todo esse tempo lutaram revoltados ou pacientes por justiça e respostas.

Com o CNPJ em mãos, hoje podemos dizer sem dúvida alguma que Rondônia e toda a Região Norte terá um atendimento humanizado de qualidade e dignidade aos pacientes portadores de Câncer.

Sei que essa caminhada ainda está só começando, mas por hoje o dia é de agradecimento... até mesmo por que o AMOR sempre vai provar que é maior que tudo!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Os bons são maioria



Tenho boas notícias de uma realidade presenciada. Boas notícias trazidas diariamente por exemplos que me fazem mudar conceitos e acreditar que os bons são maioria. Apesar de todos os desabafos que tenho feito aqui no blog sobre os “empecilhos” para a implantação da unidade do Hospital de Câncer de Barretos em Rondônia, meu coração se enche de esperança por Deus se fazer sempre presente no que de mais importante a Fundação Pio XII se baseia, no AMOR ao próximo!

Nos últimos meses, tenho acompanhado a dedicação do trabalho voluntário dos coordenadores de ações solidárias do HCB espalhados em nosso Estado. De 52 municípios, temos 37 cidades sendo representadas por esses anjos da guarda que se dedicam na captação de recursos para a manutenção do hospital, através principalmente da realização do Leilão Direito de Viver. Em pouco tempo, acreditamos que alcançaremos 100% das cidades.

E esse amor tem me dado uma força fora do comum para dar continuidade a este projeto que tanto me orgulha e emociona. É mais do que eu podia imaginar a confiança que cada coordenador, doador, comprador ou patrocinador dessas ações depositam em nós, colaboradores da Fundação. Uma confiança que envolve principlamente o cuidado que damos a vida do portador desta doença.

No começo o trabalho era de conscientização, forçados por uma troca de favores, esperando a contrapartida. Felizmente, prestar solidariedade tem deixado de ser uma obrigação ou um ato de “responsabilidade” social, para assumir um lugar de despertar de humanização e de humanizadores. Felizmente, enquanto imploramos para uma meia dúzia agregar nessas causas, recebemos a acolhida de centenas movendo terras e céus para gerar a mudança.

A maior prova do bem que faz fazer o bem são os testemunhos. Sérgio Reis é um exemplo deste envolvimento com a causa. Grande parceiro do HCB desde o início, veio a Rondônia mostrar sua simplicidade e emocionar a todos por onde passava, com este amor que sente pelo hospital.

Hoje em visita a uma grande e renomada empresa em Rondônia, ouvi de seu diretor que nesses últimos dois meses de dedicação ao leilão em Porto Velho, ele teve sua vida transformada enquanto ser humano. Como explicar tamanha benção nessas organizações em prol a Fundação Pio XII, senão atribuir isso as mãos de Deus?! 


Ouro Preto do Oeste se consagrou nesse fim de semana como o maior arrecadador de gado de todo o Brasil nas edições do Leilão Direito de Viver. Já nesta primeira edição da cidade o evento arrecadou aproximadamente R$ 918 mil.

Meu coração se alegra desta forma por ver nos contrastes o bem vencendo os dissabores e que tamanha confiança que nos dedicam da mesma forma podemos dedicar a esses anjos. Sempre digo que se todos nós fizermos um pouco, ainda vai sobrar gente precisando de ajuda.

Acredite, o AMOR é maior que todos! 
E eu continuo aqui, na determinação de balançar mais e mais um pedacinho deste mundo, certo Márcio Jr?! 


:)  Conto com todos vocês! 

www.cliquecontraocancer.com.br