sábado, 5 de fevereiro de 2011

Nas nuvens...






Nem presta parar para escrever quando as reflexões estão explodindo aqui dentro. Embora sejam nessas horas que se eu não falar, morro sem ar. Às vezes nem quero dizer nada... mas só de ficar aqui teclando letrinhas, formando frases e resultando em sentidos, simplesmente me faz bem. O fato é que as coisas nem sempre estão no lugar devido. Nem sempre na ordem esperada.

E por que se assustar com isso? O mundo não é previsível, as pessoas são falhas e nossas atitudes um tanto quanto omissas.  

Costumamos lamentar até mesmo a perda de nossos piores hábitos. Afinal, chego a questionar se não são justamente esses as nossas maiores saudades, parte essencial de nossa personalidade.

Já dizia Oscar Wilde, “os presságios não existem. O destino não envia arautos. É sábio demais ou talvez cruel demais para isso”. Temos tudo e não temos nada. As amarguras e os amores pouco profundos sobrevivem. Mas os grandes amores e os grandes desgostos acabam destruídos pela sua própria exaltação, é expectativa demais, é amor demais, é tudo demais, e tudo “de mais é de menos”.

E o que faz a vida valer mais a pena? Juro que não sei... se prefiro de pés no chão ou andar nas nuvens. Depende do que esperamos de cada momento. Depende se para mim o "eterno enquanto dure" é melhor do que o "dure para sempre".

De qualquer forma, o destino nunca cessa de cobrar suas dívidas na sua relação com os homens. Wilde ainda acrescentava que a vida naquela época “era muito breve para que se pudesse suportar sobre os ombros o peso dos erros do próximo”. Imagine agora o que ele não pensaria disso...

Mas confesso... É tão bom sonhar com um mundo onde as coisas possam apresentar novas formas e cores, com mudanças ou com milhares de segredos a serem descobertos... Um mundo em que o passado possa ocupar pouco ou nenhum lugar, e que as lembranças não sobrevivam sob a forma inconsciente de obrigação ou de pesar.

Me sinto cansada de mim mesma esta noite. 
Desejaria ser outra pessoa... de preferência andando nas nuvens.

Feito que amanhã eu volto para mim. 

Um comentário:

  1. Oi Kel!

    Eu prefiro que seja "eterno enquanto dure", já está de bom tamanho, com certeza!

    Muito bom texto!

    Beijos

    Carla

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